Reforma Tributária

Créditos de IBS e CBS mudam a escolha de fornecedores: sua empresa está preparada?

Durante muitos anos, a escolha de fornecedores foi baseada principalmente em preço, prazo de entrega, qualidade e condições de pagamento. Com a implementação da Reforma Tributária, porém, essa lógica tende a mudar.

A entrada do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) fará com que as empresas precisem considerar também os impactos tributários de cada aquisição, especialmente em relação ao aproveitamento de créditos.

Na prática, um fornecedor que apresenta o menor preço nem sempre será aquele que representa o menor custo efetivo para a empresa.

Por isso, compras, fiscal, financeiro e contabilidade precisarão trabalhar de forma cada vez mais integrada.

O que muda com os créditos de IBS e CBS?

Um dos pontos importantes do novo modelo de tributação é a não cumulatividade, que amplia a relevância dos créditos tributários nas operações empresariais.

De forma geral, as empresas poderão se creditar de IBS e CBS em determinadas aquisições, desde que sejam atendidos os requisitos previstos na legislação e que a documentação fiscal esteja correta.

Com isso, a análise de uma compra deverá ir além do valor apresentado na nota fiscal.

Entre os fatores que precisarão ser considerados estão:

  • possibilidade de aproveitamento dos créditos de IBS e CBS;
  • correta emissão da nota fiscal pelo fornecedor;
  • classificação fiscal adequada dos produtos e serviços;
  • momento em que o crédito poderá ser utilizado;
  • impacto tributário da operação;
  • reflexos no fluxo de caixa;
  • condições comerciais oferecidas pelo fornecedor.

Isso significa que o menor preço de compra não necessariamente representará o menor custo para a empresa.

O custo líquido passa a ser um indicador importante

Com a Reforma Tributária, os gestores precisarão olhar para o chamado custo líquido da operação, considerando não apenas o preço pago, mas também os créditos tributários que poderão ser aproveitados.

Imagine, por exemplo, duas empresas fornecendo o mesmo produto:

Fornecedor A: oferece o produto por um preço um pouco maior, mas a operação permite maior aproveitamento de créditos de IBS e CBS.

Fornecedor B: apresenta um preço menor, mas proporciona um aproveitamento de créditos inferior.

Nesse cenário, o fornecedor com o preço mais alto pode representar, ao final, um custo líquido menor para o comprador.

Por isso, a gestão de compras precisará incorporar uma análise tributária mais detalhada.

O impacto para empresas do Simples Nacional

As mudanças também exigem atenção das empresas optantes pelo Simples Nacional.

Durante a transição da Reforma Tributária, diferentes possibilidades de tratamento de IBS e CBS poderão influenciar o volume de créditos gerados para os clientes, especialmente nas operações entre empresas.

Esse aspecto pode afetar diretamente a competitividade das empresas do Simples Nacional no mercado B2B.

Para os compradores, portanto, a escolha do fornecedor poderá envolver uma análise mais ampla: não apenas o preço e a qualidade do produto ou serviço, mas também o impacto tributário da operação.

Para as empresas fornecedoras, por outro lado, torna-se ainda mais importante entender como sua estrutura tributária poderá influenciar a decisão dos clientes.

Split payment também merece atenção

Outro mecanismo relacionado à Reforma Tributária que deverá entrar no radar das empresas é o split payment.

A sistemática prevê a segregação dos valores correspondentes aos tributos no momento da liquidação financeira da operação, direcionando esses recursos para o recolhimento tributário.

Na prática, isso poderá alterar a dinâmica financeira das empresas, especialmente aquelas que trabalham com margens reduzidas e dependem de um fluxo de caixa ajustado.

Por isso, o planejamento financeiro precisará considerar não apenas faturamento e recebimentos, mas também os efeitos da nova dinâmica de recolhimento dos tributos.

Compras, fiscal e financeiro precisarão trabalhar juntos

A Reforma Tributária tende a aproximar áreas que, muitas vezes, ainda trabalham de maneira independente dentro das empresas.

O departamento de compras, por exemplo, não poderá analisar um fornecedor apenas pelo preço negociado.

Será necessário avaliar, em conjunto com as áreas fiscal, financeira e contábil:

  • impacto tributário da aquisição;
  • possibilidade de aproveitamento dos créditos;
  • formação do custo efetivo;
  • condições de pagamento;
  • impacto no fluxo de caixa;
  • qualidade da documentação fiscal;
  • classificação dos produtos e serviços;
  • condições comerciais e contratuais.

Essa integração será fundamental para evitar perdas tributárias e preservar a competitividade da empresa.

Como a empresa pode se preparar?

A preparação para a Reforma Tributária deve começar antes da efetiva mudança dos processos.

Algumas medidas que podem ser adotadas incluem:

1. Revisar o cadastro de fornecedores

Avaliar informações fiscais, produtos, serviços, regimes tributários e demais dados relevantes para a correta análise das operações.

2. Mapear as principais compras

Identificar quais são as aquisições mais relevantes para o negócio e avaliar como a nova sistemática de créditos poderá impactá-las.

3. Avaliar o custo líquido das operações

Comparar fornecedores considerando não apenas o preço de compra, mas também os possíveis efeitos tributários.

4. Atualizar sistemas e ERP

Os sistemas de gestão precisarão estar preparados para trabalhar com as novas informações fiscais e tributárias.

5. Revisar contratos

Contratos com fornecedores e clientes podem precisar de ajustes para contemplar os impactos da nova tributação.

6. Capacitar as equipes

Compras, financeiro, fiscal, contabilidade e comercial precisarão compreender as mudanças para tomar decisões alinhadas.

7. Realizar simulações

Simular diferentes cenários permite antecipar impactos sobre custos, preços, margens, créditos tributários e fluxo de caixa.

Reforma Tributária também muda a gestão de fornecedores

A Reforma Tributária não representa apenas uma mudança na forma de calcular e recolher impostos. Ela também pode provocar mudanças importantes na tomada de decisões empresariais.

A escolha de fornecedores, a formação de preços, as negociações comerciais e o planejamento financeiro precisarão considerar uma nova variável: o impacto tributário da operação.

Nesse cenário, empresas que continuarem utilizando apenas o preço como principal critério de decisão podem perder oportunidades de economia e competitividade.

Por outro lado, organizações que anteciparem a análise, revisarem seus processos e integrarem compras, fiscal, financeiro e contabilidade estarão mais preparadas para identificar oportunidades e reduzir riscos durante a transição.

Sua empresa já está analisando o impacto da Reforma Tributária nas compras?

Mais do que acompanhar as mudanças na legislação, é necessário entender como elas afetam a realidade financeira, tributária e operacional do negócio.

A Contabilidade Consultiva pode ajudar sua empresa a transformar essas mudanças em decisões mais estratégicas, com análise de cenários, planejamento e acompanhamento dos impactos no negócio.

Reforma Tributária não é apenas uma questão fiscal. É uma questão de gestão, competitividade e estratégia.