Financeiro

Receita Federal alerta contra fake news sobre PIX e tributação

O boato que viajou mais rápido que qualquer Pix

Era uma mensagem como tantas outras.

Chegou pelo WhatsApp, encaminhada por um familiar de confiança, com aquele tom urgente que faz a gente parar tudo:  “Cuidado! O governo vai taxar o Pix a partir de agora, compartilhe antes que apaguem.” Em segundos, virou centenas. Em horas, milhões.

O problema? Era mentira. Do começo ao fim.

O que realmente aconteceu

A Receita Federal publicou uma Instrução Normativa — a IN nº 2.278/2025 — que estendia às fintechs e instituições de pagamento as mesmas regras de transparência que os bancos tradicionais já seguiam há anos.

Nada de novo. Nada de taxação. Nada de espionagem financeira.

Mas alguém pegou esse texto técnico, trocou algumas palavras e jogou nas redes com uma narrativa de medo. E funcionou.

Por que funcionou?

Porque medo viaja rápido.

Porque ninguém lê a fonte original.

E porque existe gente que lucra com o engajamento gerado pelo pânico — seja em views, seja em golpes aplicados nas vítimas que, assustadas, entregam dados e fazem pagamentos achando que estão se “protegendo”.

A desinformação, aqui, não foi acidente. Foi estratégia.

O que a Constituição diz e ninguém conta

Tem um detalhe que os criadores do boato convenientemente ignoraram:

A Constituição Federal proíbe a criação de tributos sobre movimentações financeiras.

Não é opinião. Não é promessa de político. É lei maior do país.

O Pix não será taxado. Nunca foi. E qualquer norma que tentasse isso seria inconstitucional antes mesmo de entrar em vigor.

E o Imposto de Renda nisso tudo?

Enquanto o boato dominava os feeds, uma informação verdadeira e importante se perdia no meio do barulho:

Quem recebe até R$ 5.000 por mês está completamente isento do Imposto de Renda.

Quem recebe até R$ 7.350 tem direito a descontos no imposto.

Essas são as regras reais. Essas são as notícias que deveriam circular.

Mas isenção não gera medo. E medo, infelizmente, gera muito mais clique.

A próxima vez que uma mensagem chegar assim…

Respira.

Antes de encaminhar, pergunta: qual é a fonte?

Se não tiver fonte oficial site da Receita Federal, gov.br, veículo jornalístico de credibilidade é provável que seja mais um boato viajando na velocidade de um Pix.

E dessa vez, você pode ser a pessoa que para a corrente.

Wellington Gonçalves

CEO Dataminas Contabilidade