Inovação

Mil ao contrário vai acabar? Entenda como será o novo CNPJ alfanumérico

O Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passará por uma mudança importante nos próximos meses. A Receita Federal confirmou que, a partir de julho de 2026, novos registros de empresas passarão a utilizar um CNPJ alfanumérico, ou seja, formado por letras e números, substituindo gradualmente o modelo atual composto apenas por dígitos.

A mudança gerou dúvidas entre empresários e profissionais da contabilidade, principalmente sobre o futuro do chamado “mil ao contrário”, sequência que atualmente identifica a matriz de uma empresa. Entenda o que muda e o que permanece igual.

O que é o CNPJ alfanumérico

O novo modelo manterá a estrutura tradicional de 14 caracteres, mas passará a permitir letras nas primeiras posições do cadastro. A mudança foi criada para ampliar o número de combinações possíveis e evitar o esgotamento dos CNPJs disponíveis no formato atual.

Hoje, o sistema exclusivamente numérico permite cerca de 100 milhões de combinações, número que começa a se aproximar do limite diante do crescimento constante de novas empresas no país.

No novo modelo:

  • O CNPJ continuará tendo 14 caracteres
  • As primeiras posições poderão conter letras e número
  • Os dois últimos dígitos continuarão sendo verificadores numéricos

Um exemplo ilustrativo seria algo como:

A1.B2C.3D4/0001-XX (formato fictício).

Quando o novo formato começa a valer

A Receita Federal definiu um cronograma para a implantação do novo modelo. Em Outubro de 2024 houve a publicação da norma que institui o CNPJ alfanumérico.

A partir de Julho de 2026 será início da emissão do novo formato. Importante destacar que apenas novas inscrições no CNPJ receberão o formato alfanumérico. Empresas já existentes não precisarão alterar o número atual, que continuará válido normalmente em todos os sistemas públicos e privados.

O “mil ao contrário” vai desaparecer?

O chamado “mil ao contrário” (0001), usado atualmente para identificar a matriz da empresa, pode passar por mudanças no futuro mas isso ainda está em discussão.

Hoje, essa sequência indica que aquele CNPJ corresponde à sede principal da empresa. No novo modelo alfanumérico, existe a possibilidade de alteração nessa lógica, embora a Receita Federal ainda avalie se manterá a identificação da mesma forma.

Para empresas já cadastradas, porém, nada muda: o formato continuará sendo exatamente o mesmo.

Por que o governo decidiu mudar o CNPJ

A principal razão é técnica: o modelo atual está próximo de atingir seu limite de combinações disponíveis. Com mais de 60 milhões de empresas registradas no Brasil, a tendência é que esse número continue crescendo nos próximos anos.

Além disso, a modernização do cadastro também se conecta com mudanças estruturais no sistema tributário brasileiro, em que o CNPJ tende a se tornar o identificador central das empresas perante União, estados e municípios.

A adoção do CNPJ alfanumérico é considerada uma modernização importante do cadastro empresarial brasileiro. Ao ampliar o número de combinações possíveis, o governo garante que o sistema continue funcionando por décadas, mesmo com o crescimento da formalização de empresas no país.

Para empresários, o principal ponto de atenção é acompanhar a adaptação dos sistemas e processos antes da implementação oficial em 2026.

Fonte: Gov.br