Gestão

Saúde mental em debate: empresas repensam a gestão de pessoas

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 voltou ao centro das atenções no Brasil. Mais do que um debate sobre produtividade ou redução da jornada, o tema passou a envolver qualidade de vida, saúde mental e sustentabilidade das relações de trabalho. Uma pesquisa divulgada pelo Indeed mostra que os brasileiros valorizam cada vez mais o equilíbrio entre vida profissional e pessoal, tornando esse fator decisivo na atração e retenção de talentos.

A produtividade depende apenas das horas trabalhadas?

Durante muitos anos, a produtividade foi associada ao aumento da carga horária. No entanto, estudos e experiências recentes indicam que colaboradores descansados, motivados e com melhor qualidade de vida tendem a apresentar maior desempenho, menor índice de erros e maior comprometimento com a empresa.

Esse novo cenário tem levado organizações a repensarem seus modelos de gestão, especialmente em setores que tradicionalmente utilizam a escala 6×1.

Saúde mental passa a ser prioridade nas empresas

O crescimento dos casos de ansiedade, estresse ocupacional e burnout fez com que a saúde mental deixasse de ser apenas uma pauta de Recursos Humanos para se tornar um tema estratégico.

Na escala 6×1, um único dia de descanso muitas vezes é insuficiente para que o trabalhador recupere suas energias físicas e emocionais. Além do descanso, esse período costuma ser utilizado para resolver questões pessoais, compromissos familiares e tarefas domésticas, reduzindo o tempo efetivamente dedicado à recuperação.

O que diz a legislação atualmente?

Atualmente, a escala 6×1 continua sendo permitida pela legislação trabalhista brasileira, desde que sejam respeitados os limites legais de jornada, os intervalos obrigatórios e o descanso semanal remunerado.

Embora existam propostas legislativas para redução da jornada de trabalho em discussão no Congresso Nacional, nenhuma alteração foi aprovada até o momento. Assim, as empresas devem acompanhar a evolução do tema, mas continuam seguindo as regras atualmente vigentes.

O impacto para os empregadores

Independentemente de mudanças legais futuras, o mercado já demonstra uma transformação nas expectativas dos profissionais.

Empresas que investem em políticas de bem-estar, programas de saúde mental, jornadas mais equilibradas quando operacionalmente viáveis e ambientes organizacionais saudáveis tendem a fortalecer sua marca empregadora, reduzir custos com turnover e aumentar a retenção de talentos.

Além disso, práticas voltadas ao bem-estar dos colaboradores têm ganhado relevância dentro das estratégias de ESG, especialmente no pilar social, sendo cada vez mais observadas por investidores, clientes e parceiros comerciais.

Como as empresas podem se preparar?

Mesmo sem uma alteração imediata na legislação, algumas medidas podem contribuir para um ambiente de trabalho mais saudável:

revisar políticas internas de jornada;

acompanhar indicadores de absenteísmo e afastamentos;

investir em programas de saúde mental;

promover ações de qualidade de vida;

avaliar alternativas de organização das escalas sempre que possível;

manter acompanhamento das mudanças legislativas relacionadas ao tema.

Preparar-se antecipadamente permite que a empresa reduza riscos trabalhistas, fortaleça sua cultura organizacional e esteja pronta para eventuais mudanças na legislação.

O debate sobre a escala 6×1 deixou de ser apenas uma discussão sobre horas trabalhadas e passou a envolver produtividade sustentável, competitividade e saúde mental. Organizações que acompanham essa transformação e adotam práticas de gestão mais equilibradas tendem a construir ambientes de trabalho mais saudáveis e preparados para os desafios do mercado.

A equipe da Dataminas Contabilidade acompanha de perto as atualizações na legislação trabalhista e auxilia empresas na adequação de processos, gestão de pessoas e planejamento estratégico, garantindo segurança jurídica e maior eficiência para o seu negócio. Entre em contato conosco e mantenha sua empresa preparada para as transformações do mercado.

Fonte: CNN Brasil