Contabilidade

Empresas estão sendo excluídas do Simples por esse motivo simples

O regime do Simples Nacional sempre foi visto como a principal porta de entrada para micro e pequenas empresas no Brasil. Unificação de tributos, alíquotas reduzidas e menos burocracia tornaram o sistema atrativo para milhões de negócios.

No entanto, um motivo considerado “simples” tem provocado a exclusão de milhares de empresas do regime: débitos tributários em aberto.

O que está acontecendo?

De acordo com as regras do Simples Nacional, a empresa não pode possuir débitos com a União, Estados, Distrito Federal ou Municípios sem a devida regularização (pagamento ou parcelamento).

Quando a empresa:

  • Deixa de pagar o DAS por alguns meses;
  • Acumula débitos de ICMS ou ISS;
  • Não regulariza pendências na dívida ativa;
  • Ignora notificações da Receita ou da Procuradoria;

Ela pode receber um Termo de Exclusão. E o problema é que muitos empresários só percebem quando já estão fora do regime.

O que diz a legislação?

O sistema cruza automaticamente informações da Receita Federal, da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e das secretarias estaduais e municipais.

Se houver pendência não regularizada dentro do prazo legal, a exclusão se torna efetiva a partir de 1º de janeiro do ano seguinte (ou, em alguns casos, retroativamente).

O detalhe crítico: não basta dever pouco. Qualquer valor pode gerar exclusão se não for regularizado.

Por que esse “motivo simples” é tão perigoso?

Porque muitos empresários acreditam que: pequenos atrasos “não dão problema”,  parcelamentos antigos resolvem tudo, débitos estaduais ou municipais não interferem no regime federal.

Essa percepção está equivocada. O Simples funciona como um regime integrado. Se há pendência em qualquer ente federativo, o risco é real.

Quais as consequências da exclusão?

Sair do Simples pode significar:

  • Aumento imediato da carga tributária;
  • Obrigação de apurar tributos no Lucro Presumido ou Lucro Real;
  • Mais obrigações acessórias;
  • Impacto no fluxo de caixa;
  • Perda de competitividade.

Em alguns casos, a carga pode praticamente dobrar, dependendo da atividade.

Atenção redobrada em 2026

Com o aumento da fiscalização eletrônica e cruzamento automatizado de dados fiscais, o ambiente está cada vez menos tolerante com inadimplência. O que antes passava despercebido por meses, hoje é identificado em poucos dias.

O motivo da exclusão pode ser “simples”: débitos não regularizados. Mas o impacto financeiro e operacional é tudo, menos simples. Empresas que desejam permanecer no Simples precisam tratar a regularidade fiscal como prioridade estratégica não apenas como obrigação contábil. Se o seu negócio está no Simples, a pergunta é direta:

a situação fiscal está realmente regular ou apenas aparentemente tranquila?

Wellington Gonçalves

CEO Dataminas Contabilidade.